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A Grande Renúncia: por que tantas pessoas estão pedindo demissão?

Pedidos de demissão aumentam em plena crise no Brasil e nos EUA
Diego Assis Prof. Roberto Sachs
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Os efeitos da pandemia de coronavírus pelo mundo foram e ainda são sentidos em diversos aspectos da vida, do colapso dos sistemas de saúde aos altos índices de desemprego provocados pelo fechamento de negócios e estabelecimentos comerciais.

Segundo os números oficiais, o Brasil fechou o ano de 2021 com 12% de desemprego. O índice é bem maior que o dos Estados Unidos, que encerrou o ano com cerca de 4% da população sem emprego formal.

Mas há pelo menos um dado que aproxima os dois países e tem intrigado analistas: mesmo em plena crise econômica, nunca tantas pessoas pediram demissão de seus empregos.

Nos Estados Unidos, nada menos do que 25 milhões de pessoas deixaram seus empregos apenas no segundo semestre de 2021, em um ritmo que chegou a atingir 4,5 milhões de pedidos de demissão ao mês.

No Brasil, de acordo com dados de uma pesquisa publicada pela revista Você S/A, o número de pedidos de demissão já é o dobro do período anterior à pandemia, tendo atingido a marca de 500 mil pedidos de demissão voluntária em novembro de 2021.

Os norte-americanos têm chamado essa onda de A Grande Renúncia. O Brasil ainda não batizou a sua, mas uma coisa é certa: é preciso entender por que isso acontece. O que está levando centenas de milhares de trabalhadores a abandonar seus empregos mesmo diante de uma das crises mais assustadoras que o mundo já enfrentou?

Os reais motivos por trás dos pedidos de demissão

Pedidos de demissão são um fato no mercado de trabalho desde sempre. Muitas vezes fazem parte do processo natural de crescimento da carreira. Pessoas pedem demissão quando recebem uma oferta mais vantajosa de trabalho em outro lugar, quando decidem experimentar novos desafios ou trabalhar em outras áreas.

Com a evolução das tecnologias digitais e a facilidade cada vez maior de vender online, muitos arriscam-se a abandonar empregos formais para empreender por conta própria. Mesmo com a pandemia, o Brasil registrou crescimento de 6% na abertura de empresas em 2020, e 8,4% de aumento no número de MEIs.

Mas esses dados talvez escondam algo que muitos ainda não gostam de falar abertamente: grande parte dos pedidos de demissão nesse mesmo período estão ligados à mais pura insatisfação com o trabalho. Desafio você a apontar uma pessoa que não conheça alguém que se demitiu desde o início da pandemia simplesmente por estar de s… cheio.

É verdade que a pandemia deixou todos com nervos à flor da pele, e que a pressão para manter as empresas de pé diante de uma das crises mais graves da história recente não ajudou em nada, mas há um outro fator por trás disso tudo que é a conscientização por parte de algumas pessoas de que o trabalho não pode ser a única razão de sua existência.

Ao trocarem, ainda que temporariamente, a rotina do ambiente de trabalho presencial na empresa por formatos remotos como o home office, muitos acabaram redescobrindo aspectos da vida que andavam esquecidos, como a família, os filhos, a pausa para o almoço e para praticar atividades físicas.

Quando confrontados com a volta iminente aos modelos de trabalho pré-pandemia, que em alguns casos envolvem grandes tempos de deslocamento, excessos de processos e reuniões cansativas e por vezes desnecessárias, houve quem preferisse não voltar, em nome de mais qualidade de vida.

Pedir demissão não é para ricos

Falar em buscar qualidade de vida ou maneiras alternativas de trabalho, como o home office, pode parecer que essa é uma realidade apenas para meia dúzia de privilegiados, que já estão no topo da cadeia profissional e que podem se dar o luxo de abandonar seus trabalhos. Não necessariamente.

Entre os campeões de pedidos de demissão em 2021 no Brasil, os três primeiros da lista são: atendentes de telemarketing, auxiliares de logística e atendentes de lanchonete. Jovens com até 30 anos são os principais responsáveis por essas saídas. Justamente a faixa que tem recebido os menores salários e sido afetada por altas taxas de burnout.

As informações que chegam dos Estados Unidos, sobre a tal Grande Renúncia, são similares. Dentre as dezenas de milhões de trabalhadores que pediram demissão no segundo semestre de 2021, muitos eram jovens funcionários de empresas como McDonalds e Amazon, cansados de jornadas exaustivas e baixos salários.

Muitos desses jovens se reuniram em grupos de internet e começaram a compartilhar relatos de frustrações com o trabalho, repassando memes e vídeos de pedidos de demissão que acabaram viralizando e incentivando outros trabalhadores descontentes a fazer o mesmo. O jornal The New York Times chamou esse fenômeno de “quitagion”, quando um pedido de demissão começa a levar a outros em um efeito cascata que se parece com uma epidemia contagiosa.

O mesmo pode acontecer dentro de empresas aqui no Brasil ou em qualquer outro canto do mundo. Você possivelmente já se deparou com um fenômeno assim na empresa ou no setor em que trabalha. Quando um pede demissão, especialmente por motivos ligados à precariedade no ambiente de trabalho, é bastante comum que a atitude incentive outros colegas de trabalho a tomarem coragem e fazer o mesmo. É o que as áreas de Recursos Humanos costumam chamar de altos índices de turnover, um verdadeiro pesadelo não só para os empregados, mas também para os empregadores, que além de substituir a mão de obra precisam agir para que isso não azede ainda mais o clima organizacional.

Pandemia jogou luz sobre necessidade de propósito no trabalho

Já falamos bastante aqui no blog da Rock Ensina sobre como a necessidade de propósito é uma das principais características dos trabalhadores da geração Y, os millennials. Trabalhar sem saber o porquê ou para quem não está entre as prioridades dessa geração, que hoje é a principal força de trabalho na maioria das empresas, seja nos cargos mais operacionais, até as posições de gerência ou executivas.

Acontece que a pandemia do coronavírus e a forte ameaça que ela colocou sobre a vida e a saúde das pessoas deixou ainda mais em evidência essa necessidade de propósito: se não tenho mais nenhum controle sobre o que está por vir, sobre minha própria saúde e bem-estar, então por que estou gastando todas as minhas energias e tempo nessa rotina de trabalho que não me faz feliz?

Olhando por esse lado, não fica difícil de entender pessoas que abriram mão de maiores salários e de assumir responsabilidades no trabalho em troca de uma vida mais simples e essencialista. Entre as tantas coisas que a pandemia nos ensinou, muitas delas bastante amargas, está a de que o tempo é um bem que não é reposto ou recuperável. Logo, é necessário aproveitá-lo da melhor maneira possível, de preferência em um trabalho que faça sentido ou traga algum senso de realização pessoal para você.

Estrela da Vida da Rock Ensina - sucesso profissional e pessoal está no equilíbrio das 5 pontas

Atenção: Este texto NÃO é um incentivo para você pedir demissão

O fato de o número de pessoas que pedem demissão de seus trabalhos, seja no Brasil, seja nos Estados Unidos, não é necessariamente um indicador de que você deva fazer o mesmo. Pedidos de demissão, mesmo com outras ofertas em mente, precisam ser bem avaliados e se encaixar na realidade de vida e orçamento de cada um.

O que é preciso entender, entretanto, seja você funcionário ou empresário, é que a maneira de se relacionar com o trabalho mudou bastante nos últimos anos e se acelerou profundamente na pandemia. Nem sempre o salário ou o título do cargo serão suficientes para motivar alguém. Tomar consciência disso e proporcionar ambientes de trabalho que consigam conciliar melhor a rotina e as demandas por resultados com momentos de descompressão e que favoreçam a saúde mental dos trabalhadores é fundamental.

Na Rock Ensina, temos aplicado a fórmula da Estrela da Vida para incentivar os alunos e empresas a cuidarem igualmente dos cinco aspectos de suas vidas: Trabalho e Estudos, Relacionamento e Família, Saúde Financeira, Saúde Mental e Física e Lazer. Se uma ou mais dessas pontas não forem bem cuidadas é provável que as demais também acabem comprometidas cedo ou tarde.

O mundo mudou com a pandemia, as pessoas mudaram, muitas afetadas diretamente por perdas, e as empresas que ainda não mudaram vão precisar mudar também se quiserem manter seus colaboradores por perto. A pauta para 2022 é proteger o capital humano. Pessoas não são problemas, mas a solução. Mantê-las saudáveis, motivadas e felizes com o trabalho é a melhor receita para enfrentar as novas ondas de demissão.

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