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Por que seu time dá desconto que não precisava dar

A margem não some de uma vez. Some cinco por cento por vez, em vendas que teriam fechado do mesmo jeito.
Redação Rock Ensina
Por Redação Rock Ensina
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Por que seu time dá desconto que não precisava dar

A margem de uma empresa raramente desaparece num movimento só. Ela some devagar, cinco por cento de cada vez, em vendas que teriam fechado sem desconto nenhum. Ninguém autoriza isso formalmente, ninguém decide numa reunião. Acontece na conversa, no impulso, com a melhor das intenções de fechar o pedido. E, no fim do trimestre, o faturamento veio e o lucro não.

A conta que quase ninguém faz

Vale começar pela matemática, porque ela costuma calar a discussão. Imagine um produto de cem reais com margem de trinta por cento. O custo é setenta, o lucro é trinta.

Agora dê dez por cento de desconto. O preço vira noventa, o custo continua setenta, o lucro cai para vinte. Você abriu mão de dez por cento do preço e de um terço do lucro.

Para voltar ao mesmo lucro em reais, seria preciso vender cinquenta por cento a mais em volume. Cinquenta por cento. Nenhum vendedor que dá dez por cento de desconto está mentalmente vendendo cinquenta por cento a mais, mas é isso que a empresa precisaria fazer para ficar no mesmo lugar.

Se a margem for menor, e em muitos setores é, a conta piora rápido. Com margem de vinte por cento, o mesmo desconto de dez por cento corta metade do lucro. Vale fazer essa continha com os números reais da sua empresa e mostrar para o time. Costuma ser a conversa mais produtiva do ano.

As quatro razões pelas quais o vendedor desconta

Ele não acredita no próprio preço. Se o vendedor acha que o produto é caro, o cliente vai achar também, e ele vai antecipar o desconto para poupar a si mesmo do desconforto. Essa é a causa mais comum e a mais fácil de resolver: falta a ele conhecer o valor do que vende, o custo real do problema que resolve e o que os concorrentes não entregam.

Ele não tem resposta para a objeção. Quando o cliente diz “tá caro” e não vem nada à cabeça, o desconto é a única ferramenta na mão. Quem tem a resposta escrita não precisa da ferramenta. Está detalhado em como contornar objeções.

Ele está com pressa. Fim de mês, meta apertada, comissão dependendo daquela venda. Desconto compra velocidade, e o vendedor paga com um dinheiro que não é dele.

Ele quer ser querido. Vendedores muito relacionais sentem o desconforto do cliente como se fosse próprio e aliviam a tensão da forma mais rápida. É generosidade mal direcionada, e custa caro.

Como a liderança alimenta o desconto sem perceber

Antes de cobrar do time, vale olhar os incentivos. Muita empresa pede disciplina de preço e recompensa exatamente o contrário.

Se a comissão é sobre faturamento, e não sobre margem, o vendedor não tem motivo nenhum para segurar preço. Descontar aumenta a chance de fechar e mal arranha a comissão dele. A empresa perde um terço do lucro e ele perde cinco por cento da comissão. O incentivo está desenhado para descontar.

Se a alçada de desconto é ampla e informal, ela vira piso, não teto. Todo mundo usa tudo o que pode.

Se a meta é só de volume, a mensagem é clara: traga pedido, o resto se resolve. E se o gestor autoriza exceção toda vez que o vendedor pede, ele ensina que pedir funciona.

Antes de qualquer treinamento, vale rever esses quatro pontos. Sem isso, você estará pedindo ao time que trabalhe contra o próprio bolso.

O que dar no lugar do preço

Cliente que pede desconto quase sempre está pedindo mais valor, e valor pode vir de vários lugares. Ter uma lista pronta muda a conversa.

Prazo e condição resolvem boa parte dos casos, porque muita objeção de preço é objeção de caixa. Parcelar, adiar o primeiro vencimento, faturar em duas etapas.

Escopo ajustado é honesto e preserva a lógica do preço: se o orçamento é menor, entregue menos. Baixar o preço mantendo tudo ensina que o preço original era inflado.

Brinde de custo baixo e valor percebido alto, como treinamento, instalação, garantia estendida, um acessório. Custa pouco para você e vale muito para ele.

Prioridade, quando você tem fila. Entrega antes, atendimento dedicado, canal direto.

E, quando o desconto for realmente necessário, peça algo em troca. Volume maior, pagamento à vista, contrato mais longo, indicação, autorização para usar o caso como referência. Desconto sem contrapartida é presente. Desconto com contrapartida é negociação.

Regras simples que seguram a margem

Não precisa de política de trinta páginas. Quatro combinados resolvem a maior parte.

Um. Nunca desconte antes de o cliente pedir. Parece elementar e é violado o tempo todo. Uma quantidade impressionante de descontos é oferecida espontaneamente pelo vendedor, para uma objeção que nunca foi feita.

Dois. Nunca desconte na primeira resistência. A primeira resistência é quase sempre reflexo, não posição. Uma pergunta antes resolve muitos casos.

Três. Todo desconto tem contrapartida. Sempre, sem exceção, mesmo que simbólica.

Quatro. Alçada escrita e respeitada. Até tanto o vendedor decide sozinho, acima disso passa pelo gestor, e o gestor não cede na exceção só porque pediram.

Quem desconta mais, e por quê

A tendência a descontar não se distribui igualmente pelo time, e reconhecer isso ajuda a treinar de forma dirigida.

Quem é muito relacional desconta para preservar a relação, porque sente a tensão do cliente como desconforto pessoal. Precisa aprender que segurar o preço com respeito não estraga vínculo nenhum, e que cliente respeita quem se respeita.

Quem é muito acelerado desconta por impaciência, para encerrar a conversa e ir para a próxima. Precisa aprender a aguentar mais dois minutos de negociação.

Quem é muito analítico costuma segurar melhor o preço, mas às vezes se enrola em justificativa técnica quando bastaria uma frase firme.

Quem é muito criativo tende a inventar uma condição nova a cada negociação, o que dificulta qualquer padrão e cria precedentes difíceis de administrar depois.

Nenhum desses padrões é falha moral, e todos são previsíveis. Em mais de 200 empresas atendidas, mapear quem desconta e por quê costuma render mais que qualquer política nova de preço. O caminho está em treinamento de vendas por perfil, e a etapa em que isso se decide é a terceira do processo de vendas.

Quer saber quem no seu time cede preço sem precisar, e por quê? Faça a análise gratuita de equipe da Rock Ensina.

Perguntas frequentes

O que saber sobre desconto em vendas.

Dúvidas de quem vê a margem escorrer sem entender por onde.
Muito mais do que parece. Com margem de 30%, um desconto de 10% no preço derruba o lucro da venda em um terço, e seria preciso vender 50% a mais em volume só para chegar ao mesmo lucro. Desconto pequeno no preço é desconto enorme no resultado.
Prazo, condição de pagamento, escopo ajustado, brinde de baixo custo e alto valor percebido, prioridade de entrega, treinamento incluso. Tudo que aumenta o valor entregue sem mexer no preço de tabela.
Por insegurança sobre o próprio preço, por pressa de fechar no fim do mês, por não ter resposta pronta para a objeção ou por acreditar que o produto é caro. As quatro causas são de preparo, não de caráter.
Redação Rock Ensina
Sobre o autor
Redação Rock Ensina

O time editorial da Rock Ensina reúne especialistas em comportamento humano, desenvolvimento organizacional e gestão de pessoas. Os conteúdos são produzidos com base no Método das Cores, que conta com mais de 22.000 Laudos emitidos e 25.000 Pessoas impactadas, e na experiência acumulada em mais de 200 Empresas atendidas em setores variados.

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