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Script de vendas: engessa o vendedor ou salva a venda?

O problema nunca foi ter script. Foi confundir roteiro de fala decorado com estrutura de conversa.
Redação Rock Ensina
Por Redação Rock Ensina
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Script de vendas: engessa o vendedor ou salva a venda?

Diga a palavra script numa reunião comercial e você vai receber duas reações opostas na mesma sala. Alguém vai dizer que engessa, que tira a naturalidade, que cliente percebe na hora. E alguém vai dizer que sem isso cada um fala uma coisa e ninguém consegue treinar ninguém. Os dois estão certos, porque estão falando de coisas diferentes com o mesmo nome.

O script que dá razão a quem é contra

O script ruim é um texto corrido, escrito por alguém que não vende, para ser recitado palavra por palavra. Ele começa com uma saudação padronizada, emenda uma apresentação da empresa que ninguém pediu, lista características do produto em ordem fixa e termina com uma frase de fechamento que soa como televendas de madrugada.

Esse script tem três defeitos fatais. Ele ocupa a cabeça do vendedor, que fica tentando lembrar a próxima linha em vez de escutar. Ele ignora o que o cliente diz, porque a sequência é fixa e a conversa não é. E ele soa falso, porque as palavras são de outra pessoa e sai na entonação.

Quem já foi obrigado a usar um desses tem razão em torcer o nariz. O erro, porém, não foi ter script. Foi chamar de script uma coisa que é outra.

O que um bom script realmente é

Script bom não é roteiro de fala, é estrutura de conversa. Ele responde a três perguntas: o que precisa ser descoberto, o que precisa ser dito e o que precisa ser perguntado no fim. Como cada vendedor vai fazer isso, com as palavras dele, fica por conta dele.

A diferença fica clara num exemplo. Roteiro de fala diz: “Bom dia, sou fulano da empresa X, líder no mercado de Y há vinte anos, e gostaria de apresentar nossa solução”. Estrutura de conversa diz: “abra descobrindo como ele resolve isso hoje e há quanto tempo o incomoda”.

A primeira versão dá ao vendedor um texto. A segunda dá um objetivo. E objetivo se cumpre de mil formas, todas naturais.

O que deve estar escrito

Quatro blocos resolvem quase tudo, e nenhum deles é texto para recitar.

As perguntas de abertura. Aquelas quatro ou cinco que fazem o cliente falar do que importa. Não é para ler, é para não esquecer. Detalhado em abertura da venda.

Os benefícios traduzidos. O que o seu produto resolve, escrito na língua do cliente e não na do catálogo. Um por perfil de cliente, se você atende públicos diferentes.

As respostas às objeções. As cinco ou seis que aparecem sempre, com a resposta que funciona. É a matriz de objeções, tratada em como contornar objeções.

As formas de pedir o fechamento. Três ou quatro perguntas de fechamento, para o vendedor ter opção em vez de travar. Ver técnicas de fechamento de vendas.

Repare que isso não é um documento longo. Cabe em duas páginas, e a maior parte dele é composta por perguntas, não por afirmações.

Qualidade, vantagem e benefício

Existe uma sequência simples que resolve o pedaço mais mal feito de quase todo material comercial: a hora de falar do produto.

Qualidade é o que o produto tem. É a característica objetiva, o dado técnico. “Bateria de dez horas.”

Vantagem é o que essa característica permite. “Você usa o dia inteiro sem procurar tomada.”

Benefício é o que isso muda na vida daquele cliente específico. “Você faz a rota inteira sem interromper o atendimento no meio da tarde para carregar.”

O cliente decide pelo terceiro. A maioria dos vendedores fala só do primeiro, achando que o cliente faz a tradução sozinho. Ele não faz, ou faz errado.

O detalhe que separa quem usa bem: o benefício muda conforme o cliente. A mesma bateria de dez horas vira “não interrompe o atendimento” para um, “não preciso comprar carregador extra” para outro e “meu time para de reclamar” para um terceiro. Por isso o benefício só pode ser escolhido depois da abertura, com o que o cliente disse na mão.

Como montar o seu, em uma tarde

Não terceirize isso. Script escrito por consultoria e entregue pronto costuma virar papel na gaveta, porque não tem as palavras de quem vai usar.

Junte o time numa sala. Comece pelas objeções, que é a parte em que todo mundo tem o que dizer e a discussão pega fogo. Escreva cada objeção com as palavras do cliente e deixe o time propor as respostas, escolhendo as que já funcionaram de verdade.

Depois vá para os benefícios, fazendo o exercício de qualidade, vantagem e benefício para os cinco itens que mais vendem. Depois as perguntas de abertura, pedindo a cada vendedor a pergunta que ele considera a melhor que faz.

Termine pelo fechamento, listando as formas de pedir o pedido que já deram certo na casa.

Ao fim da tarde você tem um documento com a linguagem da equipe dentro, o que resolve a resistência: ninguém rejeita um material que ajudou a escrever. E revise a cada seis meses, porque objeção nova aparece.

O mesmo script na boca de quatro pessoas

Aqui está o ponto que costuma ser esquecido e que explica por que um script funciona para uns e não para outros. Ele não vai soar igual, e não deve.

O vendedor objetivo vai executar a estrutura em metade do tempo e precisa ser lembrado de não pular a descoberta. O relacional vai conduzir com naturalidade e precisa ser lembrado de chegar ao fechamento. O analítico vai cobrir tudo com precisão e precisa ser lembrado de não transformar a conversa em apresentação técnica. O criativo vai improvisar em cima da estrutura e precisa ser lembrado de que as perguntas de abertura não são sugestão.

O script serve para garantir o mínimo comum, não para uniformizar estilo. Empresa que tenta padronizar entonação perde o que cada um tem de melhor. A leitura está em perfil comportamental em vendas.

Quando o script vira muleta

Um sinal de alerta para fechar. Se o vendedor não consegue conduzir uma conversa sem consultar o documento depois de dois meses, o problema não é o script, é a formação. Estrutura é para ser internalizada e depois esquecida, do jeito que ninguém pensa na regra de trânsito ao dirigir.

E se o cliente perceber que está sendo conduzido por um roteiro, alguma coisa foi longe demais. O bom script é invisível: ele aparece na conversa que flui, nas perguntas certas na hora certa e no fechamento que veio no momento em que deveria vir, dentro da lógica do processo de vendas.

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Perguntas frequentes

O que saber sobre script de vendas.

Dúvidas de quem tem medo de engessar o time ou de deixar tudo no improviso.
Só o script errado. Roteiro de fala palavra por palavra engessa e soa artificial. Estrutura de conversa, com os pontos que precisam ser cobertos e as perguntas que precisam ser feitas, libera o vendedor para prestar atenção no cliente em vez de na própria memória.
As perguntas de abertura, os benefícios traduzidos para a linguagem do cliente, as respostas às objeções mais comuns e as formas de pedir o fechamento. O que não deve estar escrito é o texto corrido a ser recitado.
É a sequência que transforma característica em argumento. Qualidade é o que o produto tem, vantagem é o que isso permite e benefício é o que muda na vida de quem compra. O cliente decide pelo terceiro, e a maioria dos vendedores só fala do primeiro.
Redação Rock Ensina
Sobre o autor
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O time editorial da Rock Ensina reúne especialistas em comportamento humano, desenvolvimento organizacional e gestão de pessoas. Os conteúdos são produzidos com base no Método das Cores, que conta com mais de 22.000 Laudos emitidos e 25.000 Pessoas impactadas, e na experiência acumulada em mais de 200 Empresas atendidas em setores variados.

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