Como celulares e tablets estão afetando a inteligência das crianças

por Helena Sachs
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Por muito tempo, estudos ao redor do mundo apontaram um aumento de QI (Quociente de Inteligência) de geração para geração. Não mais. Pela primeira vez na história, testes indicam que filhos têm demonstrado índices de QI inferior aos de seus pais.

Mas por que tudo está virando de ponta-cabeça? E por que agora?

Para o neurocientista francês Michel Desmurget, autor do livro “Cretinos Digitais”, as tecnologias estão afetando cada vez mais a inteligência de crianças e jovens.

Isso porque os jogos, dancinhas, séries, filmes e redes sociais são mais sedutores, por serem grandes liberadores de dopamina, e estão sendo apresentados aos jovens cada vez mais precocemente.

Os bebês da geração atual já nascem tendo contato direto com a tecnologia digital. Aos 2 anos, já conseguem abrir aplicativos em tablets e celulares e assistir a vídeos interativos.

Mas é aí que mora o perigo! Quanto mais cedo forem expostas a essas tecnologias, mais afetado vai ser o desenvolvimento neural das crianças.

Isso porque, na infância e na adolescência, o cérebro não é estável e tem alto potencial de plasticidade. Ou seja, podemos dizer que ele se molda a partir do ambiente em que está inserido.

O uso recreativo das telas na infância e adolescência

Quando deixam de lado atividades lúdicas que desenvolvem o potencial do cérebro, como construir com blocos de Lego, fazer lição de casa, ouvir música, ler e brincar ao ar livre, as crianças sofrem um atraso no desenvolvimento cognitivo de funções ligadas à linguagem e à atenção.

Com o tablet e o celular na mão, o que prevalece é o uso recreativo mais empobrecedor da tecnologia, aquele que gera uma sensação de prazer mais rápido. Quanto mais cedo forem expostas a esse tipo de atividade, maiores são os impactos negativos e as chances de um vício contínuo.

É por isso que o recomendado é que as telas não sejam inseridas na vida de crianças com menos de 6 anos. A partir dessa idade, um uso saudável é de até 30 minutos ou 1 hora por dia, com conteúdos adaptáveis e respeitando o sono.

Segundo Michel Desmurget, os danos cerebrais são ainda mais perceptíveis na adolescência, faixa de idade que já dedica em média 7 horas por dia às telas de celulares, games e tablets.

Ao conversar com um jovem que utiliza em abundância dos meios digitais, observa-se que ele se esquece facilmente das coisas, possui dificuldade para se comunicar de forma offline, não se concentra tão facilmente em atividades que exigem um esforço maior e está sempre acelerado, querendo que as coisas aconteçam instantaneamente.

Essa é uma das comprovações de que o alicerce da inteligência é afetado principalmente na linguagem, concentração e memória, quando há uma exposição demasiada de uso de telas.

Como saber se meu filho está sendo prejudicado pelo uso diário das tecnologias?

Se você tem filhos na infância ou adolescência, precisa se atentar a alguns sintomas:

  1. Diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares, que é essencial para o desenvolvimento da linguagem e do emocional
  2. Diminuição do tempo dedicado a outras atividades mais enriquecedoras (como lição de casa, música, arte e leitura)
  3. Perturbação do sono, que é quantitativamente reduzido e qualitativamente degradado
  4. Superestimulação da atenção, levando a distúrbios de concentração, aprendizagem e impulsividade
  5. Subestimulação intelectual, que impede o cérebro de desenvolver todo o seu potencial
  6. Sedentarismo excessivo, que além do desenvolvimento corporal, influencia a maturação cerebral

A importância de realizar atividades 100% offline

Principalmente na adolescência e na infância, é de extrema importância valorizar as atividades contemplativas.

São elas aquelas realizadas de maneira off-line e que exigem maior concentração e paciência, por serem lúdicas e mais lentas. Muitas vezes elas estão ligadas aos hobbies das pessoas e devem ser priorizadas em suas rotinas.

Alguns exemplos de atividades contemplativas são a leitura, os estudos, a arte, a música, a caminhada, o pilates, a ioga e o skate. Aqui na Rock Ensina esses aspectos são trabalhados em nossa Trilha Amarela.

Essas atividades, além de serem grandes responsáveis por equilibrar a saúde mental, também ajudam na noção da realidade do tempo. Um excesso de utilização de telas faz com que haja uma falsa ilusão de que o mundo gira em uma velocidade quase instantânea das coisas.

Por isso que contemplar a natureza em seu devido tempo e realizar atividades que exigem mais esforço é essencial em uma era digital que investe cada vez mais na rapidez e praticidade das coisas.

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