Ansiedade: como lidar com ela no trabalho e na vida num mundo pós-Covid

por Helena Sachs
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Você é ansioso? Sente que precisa controlar e colocar meta para tudo, do trabalho à vida pessoal, e quando algum objetivo não é atingido sente que fracassou? Pois saiba que você não está sozinho. A ansiedade é um dos males da sociedade moderna e tem se tornado ainda mais potencializada com o excesso do uso de redes sociais e com os tempos de pandemia e más notícias que estamos vivendo.

A Rock Ensina, escola de negócios da nova geração, tem se deparado com esse cenário em diversas das aulas e treinamentos, com mais de 5.000 profissionais, que já realizamos ao longo dos últimos anos. Através de nosso Teste das Cores percebemos que o ambiente de trabalho do século 21 está repleto de profissionais com o que chamamos de Perfil Azul, que se caracteriza por uma necessidade de controles rígidos em todos os aspectos da vida, gerando frustração, sofrimento por antecipação e ansiedade.

“Ansiedade e Trabalho: Como suportar a pressão dos novos tempos com produtividade” foi o tema de uma conversa entre o professor Roberto Sachs, CEO e sócio-fundador da Rock Ensina, e Luiz Felipe Pondé, filósofo e escritor, doutor em filosofia pela USP e pós-doutor pela Universidade de Tel Aviv em Israel, autor de “Você É Ansioso?” (2020), “Filosofia para Corajosos” (2016) e do best-seller “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia” (2012), entre outros, realizada nos canais de Instagram e YouTube da Rock Ensina.

Assista ao conteúdo em vídeo ou, se preferir, leia o texto abaixo 🙂

Pondé define a ansiedade como o “afeto que nos inunda quando a gente percebe que nossos mecanismos de controle podem fracassar, podem entrar em crise’’. Segundo ele, os tempos atuais têm sido especialmente duros para os ansiosos, massacrados com o excesso de informação – muitas vezes de má qualidade ou enganosa – e a sensação provocada pela pandemia do coronavírus de que a sociedade tem saído do controle.

A ansiedade como fator marcante nas Gerações Y e Z

Um dos grupos mais afetados pela síndrome de ansiedade têm sido os jovens das Gerações Y e Z, que compõem grande parte da força de trabalho nas empresas atualmente. “O jovem já inicia a sua vida profissional pensando-a numa chave meteórica. Ele tem que ter resultados muito rápidos porque sabe que quando chegar perto dos 40 anos, ele vai ser expelido do mundo corporativo”, explica Pondé. “Então ele tem que controlar o seu envelhecimento, tem que controlar sua capacidade de assertividade, e isso faz com que sociologicamente a gente viva numa Era da Ansiedade.”

Imerso em um mundo dominado – e controlado – por redes sociais, o jovem tem sido sufocado por uma rotina de controle e de metrificação da vida. “Ele tem que controlar o número de amigos que tem, as calorias da comida que come, o número de passos que dá. Ele mede até a quantidade de pessoas que deram like na pizza que está comendo, ou no hotel que vai, e sempre se comparando com o outro.”

A síndrome de ansiedade, porém, não atinge só os jovens. Professor da Universidade Católica de Washington, o canadense Jerry Muller descreve esse fenômeno no livro “Tirania das Métricas”, que ele identifica como tendo influência também sobre diversos segmentos da sociedade, do mundo acadêmico ao corporativo. Universidades, escolas e empresas também têm sido vítimas de um pensamento burocrático construído em cima de certificações, metas e métricas que acabam tornando um fim nelas mesmas.

A própria dinâmica de redes sociais, complementa Pondé, tem atingido também esses setores. “Todos estão cada vez mais escravos das redes. As universidades e escolas têm que engajar as pessoas, transformá-las em seguidores”, diz. “As redes sociais são uma espécie de mercado selvagem. As pessoas já sabem que estão lá para conseguir um patrocínio, para conseguir emprego. Elas se tornaram mídia. As pessoas e empresas têm que alimentar o tempo inteiro as suas redes, só que nem sempre tem assunto, né? Só que você tem que ir inventando coisa o tempo todo, porque o seguidor é impaciente e intolerante. Hoje ele está aqui, de repente não está mais.”

Existe saída para a ansiedade na vida moderna?

Somos educados e treinados para termos resultados, controlando nossas tarefas com agendas e aplicativos em um sistema tão sofisticado quanto sedutor. Nesse sentido, é possível dizer que a ansiedade deriva do próprio modelo de produção adotado pela sociedade industrial, sob a lógica do progresso e da eficácia, e que portanto é praticamente um caminho sem saída.

“Não há saída para a ansiedade sociológica porque ela está inscrita na estrutura produtiva, na estrutura de organização da vida, inclusive privada, das pessoas, que vivem como sempre para dar certo, para dar resultado, para melhorar”, analisa Pondé.

Pondé associa a experiência atual ao que foi chamado de mal-estar romântico, que teve seu epicentro na segunda metade do século XVII na Alemanha e caracterizou o Romantismo nas artes, na filosofia e na literatura.  “É a primeira ressaca da Modernidade. O mal-estar romântico é a Modernidade olhando para si mesma e colocando em dúvida os preceitos de produção, de racionalidade instrumental, de eficácia e objetividade, isso tudo que desabou no mundo em que a gente vive”, compara.

Mas se para a sociedade é difícil escapar desse mal-estar, o Capitalismo já encontrou há muito tempo uma forma de transformá-lo em produto, segundo Pondé. “Você só trabalha e quer desfazer a sensação de que algo lhe falta, então o que o mercado faz? Ele te oferece um final de semana em Tiradentes, com jantar harmonizado para duas pessoas, parcelado em X vezes para você conseguir pagar.”

Fracassar faz parte. A vida não é só feita de sucessos

O que fazer então diante desse cenário? Pondé deixa claro que é necessário continuar buscando respostas, se não para resolver o problema ao menos como uma trilha para a sobrevivência diante dos massacres diários da sobrevivência. Refletir sobre os problemas e reservar um tempo para contemplação, sem compromisso com o resultado direto, são dicas que podem ajudar.

O filósofo lembra que uma vez foi perguntado sobre que conselho daria para os jovens de hoje e a resposta foi: “Peçam aos mais velhos que parem de mentir para vocês”. “Muitos dos jovens de hoje são produtos dos pais deles, mas são eles que têm de dar conta do nível de ansiedade disso tudo, de ter que dar certo. Precisamos dizer para esses jovens que estão em formação que nem todo mundo vai ter sucesso, nem todo mundo vai conseguir dar certo. Se você conseguir ter relacionamentos razoáveis, conseguir pagar suas contas e de vez em quando tirar férias, já está acima da média.”

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